sexta-feira, 25 de setembro de 2009

De Circunstancialitas Rerum Natura

A Natureza das Coisas Cirscunstanciais.

Circunstancialidade, ou Prolixidade é uma alteração no rumo (direção) do pensamento. O paciente com circunstancialidade revela uma irritante incapacidade para selecionar o tema essencial dos detalhes acessórios, ou seja, o pensamento foge da pauta principal e perde-se no detalhamento trivial.

No discurso que manifesta o pensamento aparece um grande rodeio em torno do tema central, uma riqueza aborrecedora de detalhes e circunstâncias sem propósitos práticos e pormenores desnecessários, tornando o discurso bem pouco agradável.

Extraído de: http://virtualpsy.locaweb.com.br/dicionario_janela.php?cod=506


As manifestações da relação do microcosmos com o macro, são tão frequentes quanto extraordinárias.

Que a vida mundana é absolutamente desprovida de significado não é nenhuma novidade, entretanto observando aspectos corriqueiros do dia a dia profano é surpreendente a maneira como a trivialidade é a regra absoluta, pouco ou nunca comportando exceções.

- Oi, tudo bem ?
- Oi ! Tudo, e você ?
- Tudo bem também.

Começa assim, sempre, toda conversa possível e imaginável no Reino, talvez na Fundação seja diferente, mas o fato é que esse simples conjunto de sentenças demonstra de maneira gritante como a imensa e esmagadora maioria das relações em nossas vidas são cirscusntanciais.

Um sorriso automático seguido de uma pergunta a qual você não tem a miníma intenção de ouvir a resposta, aí então, como um símio apertador botão, a réplica é uma duplicata exata da pergunta, em forma e conteúdo.

Dois dias, duas semanas, dois meses sem ver alguém, e a única coisa que você tem a dizer quando a reencontra é: Opa, tá sumido, hein ?! Tenha certeza, você está diante de uma relação circunstancial.

Um amigo de trabalho que você nunca tem assunto, o vizinho que você comprimenta no elevador, o colega de faculdade com quem você frequenta o bar, e as coisas vão ficando piores.

A vida em Malkuth, no geral, vai afundando tanto na trivialidade que até mesmo relações que em tese deveriam ser laços importantes, acabam por se tornar circunstanciais.

Marido e mulher com rotinas massacrantes, bem como pais e filhos em geral, acabam por desenvolver uma relação absolutamente circunstancial uns com os outros. É um reflexo do que carregamos dentro de nós, quanto mais vazios ficamos, mais vazias são nossas relações.

A circunstancialidade é a parte vazia da vida, aquela que simplesmente não faz a menor diferença se está lá ou não, seja no curto ou no longo prazo. Ela acontece não por meio da manifestação de uma vontade ou desejo, não faz parte daquilo a que se propõe de maneira consciente o homem.

São as pessoas e as coisas que nos cercam, e que estabelecemos relação pelo simples fato de estarem lá.

Por conveniência, preguiça, cortesia, medo de ser rejeitado ou parecer mal educado, comprimentamos, saudamos etc. Seja com um abraço leve, com direito ao terrível tapinha nas costas, um beijo na maça do rosto de alguém, que antes fosse um beijo, a coisa é tão degringolada que simplesmente se encosta face com face e beija-se o ar.

Dá pra notar o quanto esse ato é absolutamente maluco quando observado dentro de uma visão mais alta em relação ao todo ?

Encarar esse fato é muitas vezes é triste, mas necessário, é sim triste notar o quão pouco você tem se importando em dar significado as suas relações e como essa maneira vazia de lidar com os que lhe cercam se aplica em outros aspectos da sua vida, como o financeiro, profissional, espiritual.

Seja naquele e-mail que você insiste em enviar para uma lista com gente que você não fala nada alem de oi há muito tempo, seja repetindo o mantra da circunstancialidade, olatudobemtudoevocetudobemtambem.

Na tradição judaica da Cabala Qlippoth quer dizer casca, é a parte exterior da sephira que protege o que é sagrado, que separa e que afasta os que não são dignos.

A circunstancialidade portanto, ao meu ver é a casca das relações profundas e verdadeiras.

E a razão de existir é o simples fato de não sermos, ou não nos tornarmos dignos de estabelecer tais relações.

Portanto da próxima vez em que for comprimentar alguém, reflita sobre seu ato, se é legitimo, fruto da vontade, se você é um macaco espacial apertador de botão e gosta de imitar gestos.

A principio pode parecer cortar da carne deixar de comprimentar alguém ou eliminar da sua vida tudo o que é besta, mas realize que esse tempo esta sendo tomado de você, não é necessário ser uma pessoa carrancuda ou mal educada, quando for comprimentar alguém seja sincero, seja merecedor de uma relação profunda.

Quem sabe a conversa sobre o tempo ou o futebol, por intermédio da sua vontade e encontrando respaldo na vontade do outro, não se torne um debate elucidativo sobre o bem e o mal, ou sobre a influência do Darwinismo no Pensamento Jurídico de Ihering.

Preencher suas relações de significados é preencher sua vida de significado, não se trata de ser interesseiro, se trata pura e simplesmente de quem ou do que voce quer estar rodeado, daquilo que não faz muita diferença se estiver la ou não, ou daquilo que se faz necessário, importante e interessante para uma existência plena.

Não, você não precisa virar filósofo ou ou sábio ascencionado. Basta dizer o que sente e ouvir de coração o que esta sendo dito.

E saiba que se você me abraçar e dar três tapinhas leves nas minhas costas, está fadado ao esquecimento.

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