quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Entendendo a magia

Texto retirado do volume 3 do encadernado de Promethea.

Segundo Alan Moore, é uma piada atribuída a Aleister Crowley, e que sendo compreendida em sua totalidade explica de maneira perfeita o que é magia.


Dois homens estão sentados em um trem, numa viagem de longa duração, um deles carrega consigo uma caixa de sapatos com alguns furos.

Durante algum tempo o outro homem fica curioso e observando a caixa do seu companheiro de viagem, resiste por algum tempo, até que em não se contendo dentro de si pergunta.

- O senhor por favor me perdoe ser intrometido ou indelicado, mas a curiosidade não me permite ficar calado durante muito mais tempo, não pude deixar de notar que o senhor leva uma caixa muita estranha consigo e gostaria se for possível de saber o que o senhor traz consigo.

- Ora claro, - responde o outro homem - de maneira alguma seria indelicadeza de sua parte, o que trago aqui comigo, por acaso é um animal. Um mangusto para ser mais específico.

O outro homem faz uma cara de espanto e não se contenta, insistindo.

- Puxa vida, o senhor me respondeu uma pergunta e agora tenho muito mais dúvidas, minha curiosidade esta ainda mais atiçada, porque motivo alguém carregaria um animal exótico como um mangusto ?

- Veja bem senhor, de fato, é um problema deveras curioso, um problema de família diga-se de passagem. Eu tenho um irmão que bebe muito, e ultimamente tem bebido tanto que desenvolveu uma forma grave de Deliriuns Tremens. Esse meu irmão desenvolveu uma paranóia excessiva com cobras, e as enxerga em todos os lugares, e a vida dos familiares se tornou impossível desde então. Por isso estou levando esse mangusto para acabar de uma vez por todas com esse problema.

Intrigado o outro homem pergunta:

- Mas o senhor esta ciente de que as cobras que seu irmão vê são todas imaginárias, certo ?

- Estou sim, mas veja meu senhor, não hão problema algum, pois esse também é um mangusto imaginário.

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